1. O período clássico
2. O período medieval
3. Racionalismo
4. Empirismo britânico
5. Iluminismo francês
6. Iluminismo alemão
7. Bibliografia
1. O período clássico
Platão
1. Os signos verbais, naturais ou convencionais, são
apenas representações incompletas da verdadeira
natureza das coisas.
2. O estudo das palavras nada revela sobre a verdadeira
natureza das coisas uma vez que a realidade das ideias é
independente das representações sobre a forma de
palavras.
3. O conhecimento mediado por signos é indirecto e
inferior ao conhecimento imediato e a verdade sobre as
coisas através das palavras é inferior ao conhecimento
da verdade em si, mesmo que as palavras empregues sejam
agradáveis e cuidadas.
4. O verdadeiro saber não é de natureza simbólica, mas
só simbolicamente se acede a esse saber: processo
dialéctico de subida do conhecimento (do devir à
essência). A linguagem tem uma função dialéctica.
Exemplo do círculo: nomeação (onoma) - definição
(logo) - imagem (eidolon) - ciência (epistemh).
Outros tópicos:
Visão fonocêntrica da escrita
Arbitrariedade, correcção das palavras.
Teoria da iconicidade das imagens mentais
Mimésis na literatura.
Aristóteles
Signo
1. Marcas escritas são símbolos de sons falados.
2. Sons falados são signos e símbolos de impressões
mentais.
3. Impressões mentais são "cópias" da das
coisas actuais.
4. Enquanto eventos mentais e coisas são as mesmas para
a humanidade, o discurso não é.
Escrita <= Sons falados <= Ideias <= Coisas
Aristóteles acreditava que as diferenças na estrutura
dos sistemas sígnicos assentava no plano da expressão,
não no plano do conteúdo (uma vez que os eventos
mentais eram os mesmos).
Também participa no debate da arbitrariedade e
convencionalidade dos signos: "um nome é um som
falado significante por convenção. Eu digo por
convenção porque nenhum nome é um nome natural, mas
apenas quando se torna um símbolo".
Os estóicos
Signo
signo liga três componentes:
o semainon, o significante material;
o semainomenon, o significado ou sentido;
o pragma, o objecto externo referente.

Enquanto que o significante e o objecto são entendidos
como entidades materiais, o significado é considerado
incorpóreo.
Para os estóicos o signo é uma proposição antecedente
numa hipotética e válida premissa maior, que serve para
revelar um consequente. Neste ponto de vista a semiose é
um processo de indução silogística. Do significante
observável inferimos por mediação do significado, num
processo de engendrar uma conclusão lógica sobre aquilo
pelo qual o signo está.
Os estóicos chamam lekton a uma proposição (domínio
do sentido intencional). É uma categoria semiótica
(categoria dos lekta) incorporal. Destinguem entre lekta
completo e lekta incompleto. O primeiro é uma
proposição, o segundo é uma parte desta (nome e
predicado são lekta incompletos), que se compõem com
outros, obedecendo a vínculos sintácticos. Parecem
categorias gramaticais, da expressão, mas são
categorias do conteúdo. São antes conteúdo expresso ou
exprimível, hoje dir-se-ia que é uma pura posição
actancial. Por conseguinte, os conteúdos são elementos
incorporais expressos pelas expressões linguísticas que
se ligam para produzir enunciados que exprimem
posições. O lekton completo como "representação
do pensamento" é "aquilo que pode ser
veiculado pelo discurso".
Os estóicos já destinguiam o mero som, ruído, do som
articulado significante. O facto de ser articulado
conferia-lhe a capacidade de ser incorporado em símbolos
escritos. Era uma antecipação da substância da
expressão e forma da expressão. Um som articulado pode
não ser significante, tem é que fazer sentido para o
ser.
Os epicuristas
A escola de Epicuro defendia uma epistemologia
materialista: as sensações são impressões realizadas
na alma pelas imagens dos átomos da superfície dos
objectos.
Os epicuristas defendiam um modelo diádico do signo,
rejeitando o domínio do sentido intencional
(lekton-estóicos). O referente de um signo era
identificado com uma impressão sensível ou um
sentimento. Temos apenas palavras e objectos, coisa
intermediárias convocadas por signos (lekton, categoria
dos lekta) não existem.
Os epicuristas rejeitam também o poder inferêncial da
semiose (estóicos). A capacidade da semiose não é
apenas domínio dos literatos, que estudaram as técnicas
da lógica, mas também de todos os outros, como
agricultores, etc. "até um cão quando persegue um
animal pelas pegadas está a interpretar signos".
Por outras palavras, o signos não é um juízo, em que
há um antecedente numa premissa maior. Concluem que a
linguagem verbal, tal como o comportamento animal e os
gestos das crianças, tem a sua origem não numa
convenção intelectual, mas antes na natureza.
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2. O período medieval
Aurelius Agostinho
St. Agostinho aceitava a visão epicurista de signo como
sense datum representando alguma coisa que não estava
presentemente perceptível. Contudo, seguindo os
estóicos, a sua definição de signo faz referencia à
mente do interprete como um terceiro correlato da
semiose. A sua concepção é cristã: os objectos da
semiose são interpretados como sinais indexicais
revelando a vontade divina na criação da terra.
Duas definições de signo, uma contempla o plano
semântico e a outra o plano comunicacional.
1. Função designativa ou representativa: " um
signo é o que se mostra a si mesmo ao sentido, e que,
para além de si, mostra ainda alguma coisa ao
espírito". O que caracteriza um signo é a
mediação representativa ou designativa que faz de um
terceiro.
2. "A palavra é o signo de uma coisa que pode ser
compreendida pelo auditor quando é proferida pelo
locutor". A introdução desta dimensão
comunicacional é uma novidade.
Temos o signo com quatro elementos:

a) Processo comunicacional, b) processo de
significação.
Diferencia o processo comunicacional da significação.
Para Todorov, Agostinho é o primeiro semiótico:
1. os seus estudos têm propósitos cognitivos;
2. estuda os signos em geral e não apenas os
linguísticos. Alarga a doutrina dos signos a outras
semioses que não a linguística, como os gestos
miméticos dos actores.
Destingue entre signos convencionais e signos naturais.
Defende também que objectos e signos não são
diferentes classes de coisas uma vez que cada entidade
material pode funcionar como signo de outro objecto.
Semiótica medieval
A semiótica medieval desenvolveu-se dentro da teologia e
do trivium (gramática, dialéctica e retórica). Os
maiores tópicos da semiótica escolástica são a visão
pansemiótica cristã do universo e da exegesis textual,
a disputa realismo - nominalismo e as doutrinas da
suposição e dos modos de significação.
Realismo
vs. Nominalismo - o problema dos universais
A disputa escolástica sobre a natureza dos universais
refere-se ao status ontológico da relação entre signos
para conceitos gerais e os seus objectos de referência.
Universais era o termo usado para designar os conceitos
(ideias) de uma natureza geral. Enquanto que os objectos
empíricos (flores, árvores, etc.) eram sempre
experimentados como entidades individuais, os predicados
dedicados a estes na forma de palavras, como flor ou
vermelho, eram universais. Se o objecto é particular, o
termo geral que o designa é universal. Qual é então a
natureza destes universais? Terão eles alguma
existência fora do sistema dos signos?
Platão defendia que os universais eram ideias existindo
independentes dos objectos particulares. Universalia sunt
ante res (existem antes das coisas).era a
caracterização medieval da posição platónica. Os
primeiros escolásticos defendiam que os universais eram
coisas reais cuja existência substancial era observável
na pluralidade dos objectos (como flores e árvores).
Universalia sunt in rebus (estão nas coisas) era a
caracterização desta posição. Assim, todas as coisa
individuais participam no universal da sua classe. Esta
é a posição realista.
Os nominalistas, pelo contrário, argumentavam que
somente os individuais existem na natureza. Os
universalis não se referem a nada e são apenas nomes
(nomina) ou emissões vocais (flatus vocis). Universalia
sunt post res (depois das coisas) é caracterização
desta posição.
Ockham considerava que os universais como coisa sem uma
existência própria, mas estando por conta dos objectos
individuais. A existência real tinha que ser individual
e não podia ser universal.
Um realismo moderado, também chamado conceptualismo,
aceitou a síntese entre as duas concepções. Nesta
concepção os universais estão dependentes da mente,
mas mantinha-se a ideia de que os conceitos da mente eram
formados por similaridades reais entre as coisa de forma
comum.
Teoria
da suposição
A teoria da suposição caracteriza o modo de produzir
sentido do sujeito de uma sentença dentro dum contexto
dos seus predicados. Era oposta ao significado,
independente do contexto, o sentido geral de uma palavra.
Em termos actuais, considerava-se significado como o
sentido lexical da palavra.
Eram considerados dez tipos de suposição. O mais
importante era o que se referia à existência de uma
entidade empírica. Ex.:
Bobi é um animal. "Bobi" supõe um ente
existente. Este modo de referência é chamado suppositio
personalis.
Subtipos incluem : s. confusa, todo o cão é um animal;
s. determinativa, algum cão está a correr;
s. discreta, Bobi está a correr, ou Bobi é um animal.
Dois outros modos de suposição são o simplex, que
remete para um conceito, ou supõe um universal,
"cão é uma espécie"; e materialis, onde a
referência é feita à palavra como um signo, Homem é
um nome (substantivo), ou veloz é um adjectivo. É
aquilo que hoje entendemos como metalinguagem. A
distinção entre objecto e metalinguagem foi desde cedo
discutida pelos escolásticos sob o nome de primeira ou
segunda imposição. Palavras como cão , homem... eram
definidos como signos convencionais da primeira
imposição. Palavras metalinguisticas como nome ou verbo
eram definidas como sendo resultado de uma segunda
imposição.
Semiótica
modista
Teoria dos modos de significação
Os gramáticos modistas acreditavam numa iconicidade
essencial entre as coisas do mundo e a estrutura da
linguagem (na esteira de Aristóteles). Uma vez que a
iconicidade dependia das coisa do mundo, todas as
linguagens tinham a mesma estrutura profunda. Tentaram
criar uma gramática universal ou especulativa.
Os modistas destinguiam três dimensões da semiose
linguística:
coisa (res),
entendimento (intellectus),
voz (vox).
Três modos de significação estavam associados a estas
três dimensões da semiose:
modus essendi, fornece fundamento ontológico à semiose,
caracteriza a natureza das coisas;
modus intelligendi, as estruturas essenciais são
percebidas pela mente humana através deste modo (desde a
tradição aristotélica que os conceitos são iguais
para tidos os Homens, sendo o resultado de impressões
sensíveis externas), o modo de ser precede o modo do
entendimento, tal como na causa precede o seu efeito (o
acto de percepção e conceptualização pelo modo activo
do entendimento (modus intelligendi activus), as
entidades mentais resultantes pertencem ao entendimento
passivo (modos intelligendi passivus).;
modus significandi, a coisa e o conceito são designados
sob a forma de palavras como resultado de acto de
imposição, a palavra é composta por um significante
vocal (vox) que é associado a um referente
(significatum).
Apenas a associação de um som fonético com um
referente especifico faz com que a vox se transforme num
signo verbal (dictio). A função semântica deste signo
verbal é o modo de significação. Por uma primeira
imposição o significante vocal é conectado com um
referente especifico. Este processo constitui uma
relação chamada significação (ratio significandi). A
palavra resultante é arbitrária e especifica de uma
língua.
Por um segundo acto de imposição, a palavra é
associada a vários modos de significação que derivam
das suas formas gramaticais. Todas as categorias
gramaticais ou partes de discurso são interpretadas como
tendo características semânticas gerais que se combinam
com o sentido lexical básico da palavra. A relação
semântica deste modo é chamadas consignificação
(ratio consignificandi). Este sentido
"consignificado" não é arbitrário.
Corresponde ao modo de entendimento dos conceitos e é
universal.
Os modos de significação são criados pelo intelecto,
que relaciona a palavra com o modo de ser da coisa. O
estudo destas dimensões das categorias universais da
linguagem formam o núcleo da semiótica modista.
Exemplos desta visão modista da linguagem como ícone da
realidade são as interpretações das classes de
palavras como os nomes, os verbos ou os pronomes:
"o nome é definido por referência ao seu modo
essencial de significar substâncias, estados permanentes
ou entidades";
"o verbo é a parte do discurso que significa pelo
modo de mudança, de possibilidade de vir a existir,
movimento ou existência";
"o pronome significa substância sem referência a
qualquer qualidade".
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3. Racionalismo
Ênfase nos poderes do intelecto humano, desenvolveu dois
tópicos de relevância semiótica:
1. a natureza mentalista do signo,
2. a procura de uma gramática racional universal, comum
a todas as línguas
Descartes (1596 - 1650)
O racionalismo cartesiano é estritamente
antropocentrico. Os animais caracterizam-se não só pela
ausência de linguagem como pela ausência de razão -
(negação da importância teorética da zoosemiótica).
O axioma das ideias inatas, que pressupõe a prioridade
do conhecimento intelectual sobre a experiência
perceptual, e o dualismo mente - corpo, são a base da
teoria da significação que enfatiza os conceitos em
detrimento das coisa (referência).
O problema da diversidade das línguas é um problema de
ordem da estrutura superficial uma vez que só os sons
são variáveis, as ideias são constantes. A estrutura
do pensamento e razão é comum a todos os Homens
(também para Aristóteles os conceitos são comuns a
todos os Homens, o discurso não).
Port-Royal
Antoine Arnaud (1612 - 1694)
Claude Lancelot (1616 - 1695)
Pierre Nicole (1625 - 1695)
A base da semiótica da escola de Port-Royal é um modelo
mentalista e diádico de signo. "O signo compreende
duas ideias - uma da coisa que representa, a outra da
coisa que é representada - e a sua natureza consiste em
excitar a segunda pela primeira" (Arnaud e Nicole).
Esta concepção diádica não consiste numa entidade
física e noutra mental, mas sim em duas entidades
mentais: a ideia ou imagem do som por um lado, o conceito
por outro. É uma antecipação do significante (imagem
acústica) e significado de Saussure.
Esta semiótica destingue 4 tipos de signos:
1. indexicais naturais, como os sintomas médicos, ou
respirar para "vida";
2. símbolos motivados (indexical ou iconicamente), como
símbolos iconográficos do cristianismo;
3. ícones naturais, como as imagens dos espelhos;
4. signos convencionais, como as palavras.
Só os últimos são objecto da gramática de PR. Neste
âmbito introduzem diferenciações como :
1. significação própria e acessória (denotação e
conotação);
2. compreensão e extensão (intenção e extensão).
A arbitrariedade, característica da quarta classe de
signos, é específica da relação entre significante e
significado ( e não do referente). É puramente
arbitrário juntar um conceito a um som em vez de a
outro. Os conceitos são claros e distintos, não são
arbitrários. A arbitrariedade provem do significante, é
um fenómeno de estrutura superficial. Pelo contrário, a
esfera dos significados ou ideias racionais está sujeita
a leis válidas e universais da mente humana. Não é
afectada pelo que mais tarde se designaria por
relatividade semântica.
Leibniz (1646 - 1716)
Tem uma visão pansemiótica: inclui nos signos palavras,
letras, símbolos químicos e astronómicos, caracteres
chineses hieróglifos, marcas musicais, algébricas e
aritméticas, estenografia e outros signos que usamos
pelas coisas quando pensamos.
A sua definição de signo segue a tradição
escolástica: " um signo é aquilo que
percepcionamos, e por outro lado, consideramos conectado
com outra coisa, em virtude da nossa ou da experiência
de outrem".
A semiose é baseada na associação de percepções e o
signo é o instrumento humano da cognição. Leibniz
estudou signos escritos e visuais como os caracteres e
definiu-os como marcas visíveis de conceitos. Os
caracteres são arbitrários por eles próprios, mas os
princípios da sua conecção no discurso racional não
são. Há uma relação entre a estrutura do discurso e
as coisas do mundo natural que são fundamento da
verdade.
Por outras palavras,
a estrutura sintáctica dos signos está relacionada com
a realidade através de uma relação de iconicidade
diagramática.
O fundamento desta semiótica de Leibniz é um princípio
metafísico de harmonia preestabelecida: todo o mundo
está virtualmente representado em todas as mentes
individuais, como uma faculdade cognitiva.
Isto implica um modelo triádico de signo:

uma vez que, ideias correspondem aos seus objectos.
Os signos são ferramentas úteis e necessárias que
servem de "abreviatura" a concepções
semânticas mais complexas que representam. Todo o
raciocínio humano é realizado através de signos. Não
é possível nem desejável que os objectos eles
próprios ou até mesmo as suas ideias sejam sempre
distintamente utilizadas pela mente. Por uma razão de
economia racional, o signo é uma ferramenta para a
realização de novas descobertas.
Leibniz desenvolveu estas ideias gerais sobre a natureza
do signo mais especificamente nos três ramos do seu
projecto de uma linguagem universal:
1. teoria dos signos,
2. cálculo racional,
3. invenção (arte?)
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4. Empirismo britânico
Empirismo: ciência natural como o fundamento de uma
filosofia empírica. Temos pois base numa ciência
experimental, de lógica indutiva, um modelo filosófico
de inquirição. Corrente em antagonismo com os
racionalistas, que consideravam a razão e a dedução o
fundamento do conhecimento humano.
Bacon (1561 - 1626)
Três tópicos de interesse semiótico:
1. criticismo e cepticismo contra a linguagem,
2. variedade de signos além das palavras,
3. a descoberta de um código binário.
Para Bacon "as palavras são tokens ou marks da
noção popular (corrente) das coisas". Podem
conduzir a modelos de entendimento correctos ou
distorcidos (cepticismo). Os últimos são causados por
palavras que "impõem falsas aparências":
1. palavras de coisa que não existem,
2. palavras confusas ou indefinidas.
Temos então:
1. cepticismo da língua,
2. "a cognição não é necessariamente expressa
por palavras.
Bacon investiga outros signos como gestos, caracteres
chineses, hieróglifos egípcios. Estes signos implicam
uma semiose directa, sem a intervenção de palavras.
Signos:
1. icónicos, têm alguma similitude com a noção;
2. arbitrários, força sígnica por contrato ou
aceitação.
Locke (1632 - 1704)
Posição nominalista, a universalidade não existe nas
coisas, que só têm uma existência individual, reside
apenas nas ideias e palavras cuja sua significação é
geral.
Os signos são instrumentos do conhecimento, e existem
dois tipos:
1. ideias,
2. palavras.
Locke rejeita o axioma das ideias inatas (Descartes):
"as ideias provêm das sensações dos objectos
externos", por reflexão. A mente percepciona e
reflecte (cada uma per si).
Para Locke as palavras estão pelas ideias, são marks
destas. As palavras são então metasignos, signos de
signos. O significado das palavras "é uma conexão
especial de ideias".
Temos aqui a antítese de Saussure, para quem a ideia e a
palavra (se bem que autónomas) são inseparáveis. As
palavras são ,afinal, a realidade das ideias, que de
outra forma permaneceriam ocultas.
Trata-se de uma posição individualista, de uma teoria
da utilização dos signos. "Com efeito, uma vez que
as coisas que a mente contempla não estão presentes na
compreensão, onde só aquela existe, é necessário que
nela esteja presente alguma outra coisa, como um signo ou
representação da coisa considerada: e isso são as
ideias. E porque o palco das ideias que constituem o
pensamento de um homem não pode ser imediatamente
visível para o olhar de outro homem, nem conservado
noutro lugar que não a memória, um repositório pouco
seguro: são portanto também necessários, para
comunicar os nossos pensamentos aos outros, assim como
para o nosso uso pessoal, signos das nossa ideias.
Aqueles que os homens consideram mais convenientes e que
utilizam portanto geralmente, são os sons
articulados".
Problema: se as palavras são portadoras de
representações individuais, como é que se pode
compreender representações individuais dos outros, que
podem não coincidir com as nossas?
Os indivíduos pressupõem que as suas palavras são
também os signos das ideias dos outros. "(Os
homens) pensam utilizar a palavra na acepção usual
dessa língua, e nesse caso supõem que a ideia de cuja
palavra eles fazem um signo é precisamente a mesma a que
os homem racionais desse país aplicam esse nome".
Mas com que direito é que os indivíduos pressupõem uma
acepção comum?
A inserção numa comunidade histórica ("Homens
racionais de um país") ultrapassa a concepção da
reprodução individual nominalista.
Essas ideias foram criadas por uma comunidade histórica,
não são meras representações individuais, ainda que
os indivíduos sejam depositários dessas ideias.

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5.Iluminismo francês
Condillac (1715 - 1780)
A versão francesa do empirismo tornou-se conhecida como
sensualismo. Etienne Condillac é o autor mais
representante desta corrente.
Teoria da semiose como um processo "genético"
e psicosemiótico.
Para Condillac "o uso de signos é o princípio que
abre a fonte de todas as ideias".
Estabeleceu uma hierarquia de operações semióticas,
começando no nível mais baixo e estendendo-se ao mais
elevado.
sensação - percepção - consciência
atenção - reminiscência - imaginação
contemplação - memória - reflexão
Destingue três categorias de signos:
1. acidentais, onde "os objectos estão conectados
com algumas das nossas ideias por circunstâncias
particulares;
2. naturais, "as reacções que a natureza
estabeleceu para as sensações de prazer, medo, dor,
etc.";
3. por instituição, "aqueles que escolhemos e que
têm apenas uma ligação arbitrária com as nossa
ideias".
Os três primeiros níveis comportam modos passivos de
semiose e não estão associados com nenhum dos três
tipos de signo.
O nível da reminiscência é a origem dos signos
acidentais e naturais. Os signos naturais são aqueles
onde cada língua se originou, mas uma língua totalmente
desenvolvida está sempre fundada sobre signos
arbitrários, que pressupõem o uso do nível da
memória.
Entre os signos naturais e os arbitrários está a linha
divisória entre a comunicação humana e a comunicação
animal.
Condillac destingue a língua actual de um estágio
pré-linguístico da semiose humana a que chama linguagem
de acção: "esta linguagem de acção é o germe da
linguagem (falada) e de todas as artes que são
apropriadas para expressar as nossa ideias",
nomeadamente a arte dos gestos, pantomima, música,
poesia, eloquência e escrita.
O Homem nasce com as faculdades semióticas da linguagem
de acção. Condillac rejeita a assunção de ideias
inatas e postula a faculdade inata da linguagem de
acção como um necessário pré-requisito para o
desenvolvimento de uma linguagem completa e este
desenvolvimento é a transformação gradual dos sinos
acidentais e naturais em signos arbitrários.
Diderot (1713 - 1784) e os enciclopedistas
Um dos tópicos de interesse semiótico é a distinção
entre signos linguísticos e não linguísticos. Para
Diderot a linguagem dos gestos não é só mais
expressiva mas também mais lógica que a linguagem
verbal, porque no seu ponto de vista a linearidade da
linguagem falada implica uma visão distorcida da
realidade.
No fundo desta proclamação da superioridade da
linguagem não verbal está a teoria deste século da
mimésis, cuja base é um crédito generalizado na
superioridade estética de signos naturais e icónicos em
comparação com os arbitrários.
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6. O Iluminismo alemão
Lambert (1728 - 1777)
Foi o primeiro filósofo a adoptar o termo semiótica
para o título de um extenso tratado sobre a teoria dos
signos. Desenvolveu a semiótica como um dos quatro ramos
de uma teoria geral do conhecimento, que incluía:
noiologia (doutrina das leis do pensamento), aletheologia
(doutrina da verdade) e fenomenologia (doutrina da
aparência).
A "semiótica, ou a doutrina da designação dos
pensamentos e coisas, serve para investigar como a
língua e outros signos influenciam a cognição da
verdade e como estes signos podem ser usados para este
fim".
Cognição simbólica, de acordo com Lambert, é uma
indispensável ferramenta do pensamento. A sua vantagem
é que permite o renovar de sensações, quando estas
não podem ser repetidas. Esta renovação por signos é
necessária à clareza na cognição. Sem esta
renovação as noções dessas sensações permaneceriam
obscuras.
Neste processo de cognição há quatro tipos de signos:
1. naturais,
2. arbitrários,
3. meras imitações,
4. representações (icónicas).
Estes signos estão misturados na nossa linguagem e
caracterizam-se por vários graus de similaridade.
Lambert estudou pelo menos 19 sistemas de signos, desde
notas musicais ou símbolos químicos, até signos
astrológicos, na sua arbitrariedade, motivação,
necessidade semiótica, sistematização aproximação ao
real. Estes sistemas mostram diferentes graus de
aproximação, sendo o mais elevado o dos signos
científicos. Estes signos não só representam noções
como também indicam relações de uma forma que a teoria
dos signos e a teoria das coisa tornam-se
interpermutáveis. O fundo desta teorização da
iconicidade dos signos científicos é o ideal de um
alfabeto universal isomórfico com os factos da natureza
de Leibniz.
Na persecução deste ideal, Lambert postula que os
signos científicos devem ser baseados numa teoria
semiótica que substitua a arbitrariedade dos signos, e
que esse signos devem ser mais perfeitos uma vez que
encorporam em si uma marca do seu próprio significado.
Lambert postula princípios similares para uma gramática
universal. A tarefa deste projecto é uma investigação
sobre " o natural e o necessário na linguagem, onde
parte da a arbitrariedade deve ser abolida, e parte
colocada em conecção próxima com o natural e
necessário".
Kant (1724- 1804)
Kant postulou 12 categorias conceptuais básicas do
conhecimento humano como sendo as nossa ferramentas a
priori para dar sentido ao mundo. Por trás destas
categorias estão quantidade, qualidade e relação, que
não têm relevância independentemente da sua
aplicação na percepção, não se manifestam
independentemente da nossa experiência.
A teoria dos juízos a priori, que não deriva do acto de
semiose, pode ser interpretada como um poderoso modelo de
onde o sentido não deriva do signo.
Para Kant o signo pode ser definido como um
"custodian" (custos) que apenas acompanha o
conceito em ordem a o reproduzir ocasionalmente.
Kant destingue entre juízos sintéticos e analíticos:
1. No juízo analítico o predicado já está
semanticamente incluído no sentido do assunto, ex. -
todos os triângulos têm três ângulos, não acrescenta
mais informação ao assunto;
2. no juízo sintético o predicado acrescenta mais
informação sobre o assunto, ex. - todos os corpos têm
peso.
A realidade dos conceitos só pode ser demonstrada por
percepção.
Os conceitos a priori da razão pura podem ser
apresentados directamente por schemata, ou indirectamente
por símbolos. A primeira por apresentação imediata
(pressupõem prova imediata), a segunda por analogia
(pressupõem uma forma mental que traduz em nós
"abstracções apriorísticas".
Schema (categoria da razão pura) é diferente de imagem,
que é uma categoria da percepção (um tipo de
percepção icónica).

Assim, temos três tipos de signos:
1. Percepção (é signo dos nossos conceitos),
2. Schema,
3. Símbolo.
Os estetas - sobretudo Baumgarten (1714 - 1762)
1. A iconicidade das artes é o ponto fundamental de
relevância semiótica nos estetas. O princípio da
imitação (mimésis) na pintura foi considerado o
paradigma da iconicidade estética. Sobretudo no caso da
poesia, os estetas avançavam explicações para
conciliar o ideal estético com a arbitrariedade e a
linearidade sígnica. Um percursor desta ideia da
iconicidade das artes foi Vico (ver Handbook or
Semiotics).
2. A teoria da natureza autotélica do signo estético,
expressa na formula de Kant "um prazer
desinteressado", leva à procura da compreensão da
arte pela arte. Tónica na função poética da linguagem
de Jakobson, no significante.
3. A respeito da poesia, Herder rejeita a natureza
autotélica do signo, "os signos, como as letras,
sons e melodia contribuem pouco ou nada para o efeito da
poesia". Esta baseia-se antes na natureza
semântica. Tónica na função referencial da linguagem
de Jakobson, no significado.
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7. Bibliografia
Eco, Umberto.
"Signo" in Enciclopédia Einaudi - O Signo,
Imprensa Nacional Casa da Moeda, Lisboa, 1994.
Fidalgo, António.
Semiótica, a lógica da Comunicação. http://bocc.ubi.pt/pag/fidalgo-logica-com.html,1995.
Noth, Winfried.
Handbook of, semiotics. Indiana University Press,
Bloomington & Indianapolis, 1995.
Trabant, Jurgen.
Elementos de Semiótica, Presença, Lisboa, 1980.
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