Modos de Produção Sígnica (Eco)
 
Umberto Eco propõe, em 1975, uma tipologia para "os modos de produção síginica". A ideia é reescrita mais tarde para o volume "O Signo" da enciclopédia Einaudi.

Resumo do texto de Umberto Eco "Os modos de produção sígnica"
João de Sousa, Lisboa ,1997. Texto de apoio para a disciplina de Semiótica.
 

RD

Marcas
          Vectores         Invensões


      Exemplos Amostras Amostras
fictícias
  Estilizações     Estímulos programados  
RF   Sintomas Indícios           Unidades combinatórias Unidades pseudo combinatórias    
CF Heteromatérico motivado Honomatérico Heteromatérico arbitrário
  RD: Racio difficilis RF: Racio facilis CF: Continuum a formar


Ratio facilis e ratio difficilis
Têm-se signos produzidos por ratio facilis quando o tipo expressivo está preformado. Têm-se signos produzidos por ratio difficilis quando, há falta de um tipo expressivo preformado, ele é moldado segundo o tipo abstracto do conteúdo.


1. Vestígios

Vestígio ou marca é uma impressão numa superfície. Ex: pegadas, marca de um copo numa mesa molhada. Produz um signo do tipo: se marca x, então indivíduo de y classe de impressores. Se existe uma orientação vectorial (caso das pegadas), então ela é signo da direcção virtual do impressor.
Intenção: esta pegada é de um membro da classe x.
Extensão: se esta pegada está aqui, então passou por aqui um membro concreto da classe x.
Regido por ratio difficilis.


2. Sintomas

Remetem para uma causa a que foram ligados, por base numa experiência mais ou menos codificada. Pode remeter para uma casse vasta de agentes ou ter uma relação muito próxima da equivalência (caso da equivalência bicondicional: se vive, então respira; se respira, então vive). A conexão é considerada naturalmente motivada.
Regida por ratio facilis.


3. Indícios

Ligam a presença ou a ausência de objectos a hábitos ou possíveis comportamentos. Ex: Se pelos brancos no sofá, então esteve aqui o meu gato; se falta a televisão na sala, então foi roubada. As marcas próprias de um autor de uma obra também são indícios.
Temos então uma presença na ausência, ou uma ausência na presença.
Regido por ratio facilis.

4. Exemplos, amostras e amostras fictícias

O signo ostentatório (ostensão) pode remeter para a classe de signos de que é membro, ou para outros membros da classe.. Ex: o maço de cigarros pelo tabaco, pelo fumador, ou para mandar alguém trazer cigarros. As ostensões são signos fracos que devem ser reforçados por outras expressões.
Para as amostras e amostras fictícias valem as regras retóricas do tipo sinedóquio (a parte pelo todo, um gesto pelo comportamento completo), ou de tipo metonímico (a acção sugere um instrumento ou um objecto evoca o seu contexto).

5. Vectores

Setas, dedos apontados ou pronomes são vectores. São signos que só se tornam expressivos em conexão com um objecto. Isoladamente exprimem um conjunto de instruções em abstracto: uma seta antes de ser colocada indica apenas que, independentemente do local onde for colocada ou da direcção que lhe for dada, se deve seguir na sua direcção.
É regido por ratio difficilis.


6. Estilizações

Pertencem a esta categoria os letreiros, emblemas e brasões. Podem ser regidas por códigos fortes, como as figuras das cartas de jogar e as insígnias militares, ou por códigos mais fracos, ficando abertas a conteúdos múltiplos, como os chamados símbolos (a cruz, a pomba).
Regidas por ratio facilis (ditas como tal, podem pedir por vezes um certo trabalho inferêncial quando regidas por códigos fracos).

7. Unidades combinatórias

Palavras da linguagem verbal, gestos dos surdos-mudos, bandeiras do código naval, etc. São objecto de uma sintaxe combinatória. Implicam uma série de escolhas contextuais.
Regidas por ratio facilis.


8. Unidades pseudocombinatórias

São elementos de um sistema expressivos não relacionados com o conteúdo. São exemplo o jogo de xadrez ou a música. Cada jogada, cada trecho não significam um dado conteúdo, estão dependentes de um antecedente e de um consequente para produzirem significação, num continuo reenvio da parte para o todo e para outra parte, estimulando expectativas, num fenómeno de significância, ao longo de um sistema sígnico.
Regidas por ratio facilis.


9. Estímulos programados

Suscitam uma resposta não imediata, sendo significativos apenas para quem os imite. Dentro de certos critérios não podem ser considerados signos.


10. Invenções

A expressão é muitas vezes inventada no momento que precede a definição do conteúdo. Podem ser grafos, expressões pictóricas, figuras topológicas. Por vezes, regras preexistentes ajudam a compreender o trabalho de nova codificação.
Regidas por ratio difficilis.

Eco, Umberto.
"Signo" in Enciclopédia Einaudi - O Signo, pp 40-46, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1994.


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Eco, Umberto.
Trattato di semiotoca generale, Bompiani, Milano, 1975.
Trad. port.: Tratado geral de semiótica, Perspectica, S. Paulo, 1991.

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